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outubro, 2025
Nos últimos meses, a Coluna tem ouvido diversos relatos de assaltos, extorsões e ameaças
Enquanto o mercado de galpões logísticos ao redor do Brasil tem recorde de locações e diminuição dos espaços vagos para atender ao comércio eletrônico e à indústria, a situação no Rio de Janeiro destoa. A quantidade de imóveis devolvidos no Estado tem superado a quantidade de novas locações. Além disso, há uma redução do número de novos projetos, o que sinaliza perda de interesse por parte das empresas em estar presentes ali.
Nos últimos meses, a Coluna tem ouvido diversos relatos de proprietários de galpões logísticos sobre casos de assaltos dentro desses imóveis, extorsões e ameaças que comprometeram os investimentos no setor. As declarações ocorreram reservadamente para evitar retaliações.
O sócio de uma gestora de recursos que constitui fundos de investimento em parques logísticos contou que vendeu todos os ativos no Rio nos últimos anos depois de um assalto a um de seus imóveis, em Duque de Caxias. Segundo seu relato, um grupo de bandidos fortemente armados se escondeu no compartilhamento de cargas de um caminhão e, assim, conseguiu acessar o local para fazer a limpa em uma empresa de eletrônicos. Pouco tempo depois, essa empresa decidiu mudar o centro de distribuição de mercadorias para outro endereço, incentivando as demais inquilinas a tomar o mesmo rumo. “Não quero ter mais nada no Rio”, enfatizou.
A executiva líder de uma multinacional de galpões (uma das maiores do mundo) confidenciou à Coluna que foi pressionada a fazer doações em dinheiro para uma associação de moradores de uma favela vizinha, sob ameaças de ser alvo de ações criminosas caso não aceitasse o pedido. Segundo ela, a solução foi se unir a outras operadoras logísticas da região que estavam sofrendo o mesmo tipo de extorsão e, conjuntamente, “convencer” esse interlocutor a aceitar a doação na forma de cestas básicas e eletrodomésticos entregues diretamente aos moradores. “É uma situação difícil de explicar para a matriz lá fora. Não tinha como eu justificar esse tipo de verba para doação”, desabafou.
Empresa sofreu pressão de fornecedores
O presidente de uma empresa nacional desenvolvedora de centros logísticos em vários Estados disse à Coluna que investir no Rio de Janeiro já não compensa mais. Essa empresa atuava na Pavuna, na zona norte da capital fluminense, onde sofreu assédio permanente para a contratação de fornecedores de alimentação sem qualidade e com preços irreais. “Foi um horror o que passamos ali”, relembrou. A empresa vendeu quase todos os empreendimentos no Estado, restando apenas um. “Hoje, esse é o imóvel mais caro para manter entre todos do nosso portfólio por causa dos custos com segurança e monitoramento.”
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A área total devolvida em galpões no Rio de Janeiro superou em 6 mil metros quadrados o total de locações entre janeiro e setembro, de acordo com pesquisa da consultoria Newmark, enquanto nos outros Estados as locações estão bem mais aquecidas. Com isso, a taxa de espaços vagos no Rio chegou a 10,5%, patamar acima da média nacional, que está em torno de 8%.
“Não posso garantir que as devoluções têm sido estritamente por conta da segurança, mas há, sim, esse pênalti no Rio”, disse a diretora de pesquisa de mercado da Newmark, Mariana Hanania. “A falta de segurança sempre foi uma questão que pesou muito, sobretudo para este segmento industrial e logístico.”
O levantamento da Newmark mostrou também que, atualmente, os novos projetos em obras no Rio são equivalentes a apenas 29% do total registrado um ano atrás, o que sinaliza menos interesse em desenvolver empreendimentos na região. “O investimento em segurança tem que ser maior no Rio. Além da questão de ferramentas mais robustas e caras para proteção, muitas vezes as empresas precisam recorrer a escolta armada”, observou Hanania.
Localização tem que ser precisa
Entre diversos empresários consultados, apenas um disse manter o gosto pelo Rio. Foi o presidente de uma multinacional com milhares de galpões no mundo e dezenas no Brasil. “Nunca tivemos esse problema de segurança, mas o Rio é complexo. Tem que saber operar”, relatou. “Tem que escolher muito bem o terreno e as vias de acesso. Se errar o acesso, ferrou.” Esse executivo disse lamentar a situação, pois o Rio tem uma economia dinâmica, com um peso relevante para o País. “Poderíamos investir muito mais.”