Gabriel Monteiro: Os galpões logísticos estão com tudo. A categoria teve recorde de locação em 2024 e o e-commerce está impulsionando o setor, gerando cada vez mais demanda. Estes e outros destaques a partir de agora no Money News.
Começamos esta edição com nossa parceria exclusiva com o Broadcast, da Agência Estado. Falando sobre este mercado de galpões logísticos que atendem centros de distribuição e armazenagem de produtos, eles tiveram um novo recorde de locações em 2024. A demanda foi puxada, principalmente, pelo comércio eletrônico. Quem traz mais detalhes sobre este assunto é Circe Bonatelli, jornalista do Broadcast. Uma ótima tarde, Circe. Temos o resultado de Log CP, recentemente, justamente, faz parte deste setor de galpões logísticos, de centros de distribuição. Como é que está o setor, por completo? Recorde no ano passado… tem muita demanda por esse tipo de galpão?
Circe Bonatelli: Oi, Gabriel. Prazer falar com você e com todos que nos assistem na CNN Money. É isso mesmo. O mercado de galpões logísticos está bastante aquecido, e este é um fenômeno que tem sido observado desde 2020 pra cá, desde a pandemia pra cá, quando o comércio eletrônico se popularizou ainda mais e as empresas que trabalham com vendas online precisam de cada vez mais imóveis pra guardar e distribuir as mercadorias.
Um levantamento da consultoria imobiliária Newmark mostrou que, no estado de São Paulo, em 2024, as áreas locadas, o total de aluguéis foi de um milhão e 300 mil metros quadrados. Isso daí é cerca de 18% a mais do que no ano anterior, 2023. Para se ter uma ideia, essa área equivale a cerca de 120 campos de futebol, que estão sendo usados por empresas inquilinas desse tipo de imóvel pra esse tipo de atividade.
As empresas de comércio eletrônico são as grandes demandantes de imóveis, justamente porque essa é uma área que vem crescendo bastante. Vale observar que tem uma diversificação cada vez maior de itens comprados online. Até uns anos atrás, acho que quem nos assiste deve imaginar, também, pelos seus hábitos de consumo, que se comprava coisas mais simples: celulares, livros, coisas básicas. Mas isso vem crescendo. Tem uma diversificação. Hoje isso vai de supermercado a roupas, tênis, pneus… se vende e se compra de tudo na internet.
Entre as empresas, hoje, a maior ocupante de galpões logísticos no Brasil é o Mercado Livre, seguido pela Amazon. Em seguida, vêm as varejistas brasileiras, como Magalu, Casas Bahia, Ponto Frio e outros. Mais recentemente, a demanda por esse tipo de imóveis teve um novo salto que foi proporcionado pelas asiáticas Shein e Shopee, que chegaram com uma estratégia de crescimento bastante agressiva no comércio eletrônico, e que também vêm demandando bastante área. O resultado desse volume aquecido de locações, que vem, ano após ano, batendo recordes – 2024 não foi diferente – o total de espaço vago nesses tipos de imóveis para novas locações, áreas disponíveis, chegou a 7,7% de tudo que está construído aqui no estado de São Paulo. Esse é o menor nível em mais de dez anos.
Como consequência de uma oferta menor e uma demanda grande, o preço de locação cresceu, sim, na ordem de 8%, de 2023 para 2024, e tem impulsionado, também, empreendedores a construir novas áreas.
O mesmo levantamento da Newmark apontou que, para 2025, no estado de São Paulo, tem obras equivalentes a um milhão e 300 mil metros quadrados a serem entregues. Esse é o mesmo volume que foi absorvido no ano passado.
Então, nem mesmo esse ciclo de elevação dos juros tem desaquecido o setor. No caso desses projetos que estão em construção, em andamento, e que vão ser entregues, o investimento já está em andamento, já está sendo feito, e ninguém vai parar por conta disso. Pelo contrário. Com as obras chegando perto do fim, as empresas já estão fazendo apresentação dos imóveis a potenciais inquilinos e negociando pré-contratos.
A expectativa, de acordo com a consultoria Newmark, é que 2025 continue sendo um ano bastante aquecido, desde a ponta de construção em novos investimentos até a ponta da demanda, da locação.
Gabriel Monteiro: Circe, eu sou um assíduo comprador online. Eu frequento muitos e-commerce por aí. Aí eu vejo o tempo do frete, cinco dias úteis, eu já começo a me coçar. A gente se acostumou a receber os produtos de forma muito rápida. E pra isso precisa de galpão logístico, precisa ter essa estrutura próxima do destinatário. Então, cada vez mais demanda, cada vez mais esse costume de receber as encomendas de forma mais rápida possível. Novos players digitalizados, ainda mais depois da pandemia, é a receita pra maior demanda e pra essa disparada no preço dos aluguéis, né.
Especializada e galpões modulares fora do Sudeste, o que também serve como um termômetro de como esse mercado tá aquecido, de fato, de maneira generalizada, por todo o país.
Gabriel Monteiro: Galpões focados excepcionalmente nessa cadeia logística pra acelerar cada vez mais os serviços. Então atenção total a esse setor, apesar de termos alguns problemas que surgiram entre o ano passado e o anterior, algumas varejistas online tendo problemas financeiros, deixando de cumprir com algumas obrigações, o setor tá bastante resiliente. Circe, vamos acompanhar este 2025, talvez mais um ano forte para o setor logístico, em especial para estes galpões, tá ali meio no setor imobiliário, meio no setor de logística… tá no meio do caminho. Obrigado pelas informações, pelas atualizações e, claro, desejo uma ótima tarde a você e a toda equipe do Broadcast.
Circe Bonatelli: Eu agradeço a abertura, também pra você uma ótima tarde, assim como pra todos que nos assistem.
Fonte: CNN Brasil Money
https://www.youtube.com/watch?v=tpzMZUQN1qc